Tesouro Direto: taxas dos prefixados atingem máximas e oferecem até 12,63%

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9 de maio de 2022

Movimento é puxado pela aversão global ao risco; taxas dos papéis atrelados à inflação também sobem

As taxas dos títulos públicos operam em forte alta na tarde da sexta-feira (6), em dia de aversão global ao risco. Títulos prefixados atingem rentabilidade máxima.

Segundo Luiz Carlos Corrêa, sócio da Nexgen Capital, o sentimento de aversão ao risco está relacionado a preocupação dos investidores com a inflação brasileira e no exterior, além da postura dos bancos centrais para conter este cenário.

Foram criadas 428 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em abril e a taxa de desemprego se manteve em 3,6%, o menor patamar em dois anos, aponta o Payroll divulgado na sexta-feira (6). O resultado veio acima do esperado pelo mercado.

“A alta nos juros americanos gera aversão ao risco nos investidores porque os Estados Unidos podem entrar em uma recessão”, avalia Corrêa. Segundo ele, o Banco Central Europeu (BCE) também preocupa, por não estar tomando as medidas necessárias para encara a inflação global.

No radar do mercado, e que pode trazer volatilidade nas próximas sessões, Corrêa cita a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) e os dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) que devem ser divulgados na próxima semana.

“O tom da ata do Copom pode definir os passos das próximas reuniões da autoridade monetária. Tem gente esperando mais uma alta na Selic, outros esperam mais duas. Dependendo do IPCA, a preocupação com uma inflação maior deve crescer”, aponta.

Dentro do Tesouro Direto, todas as taxas dos títulos prefixados atingiram novos recordes.

O Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, oferecia uma rentabilidade anual de 12,63%, superior aos 12,55% vistos ontem- quando atingiu o primeiro recorde. Esse título passou a ser negociado em 21 de fevereiro de 2022.

Já o Tesouro Prefixado 2025 e o Tesouro Prefixado 2029 também atingiram rentabilidades máximas.

A maior taxa já vista no Tesouro Prefixado 2025 foi em março, quando chegou a 12,54%. Já no título público com vencimento em 2029 a maior rentabilidade também ocorreu no mesmo mês, com as taxas em 12,47%.

Nos títulos atrelados à inflação, a maior alta era do Tesouro IPCA+ 2026. O título público entregava um retorno real de 5,51%, superior aos 5,46% vistos ontem.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde da sexta-feira (6): 

IGP-DI e inflação acima de 10%

Um dos destaques da cena econômica está nos dados do IGP-DI. De acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV), o índice variou 0,41% em abril na comparação com março, o que representa uma desaceleração em relação ao avanço de 2,37% visto no mês anterior.

Segundo André Braz, coordenador dos índices de preços da casa, o recuo é fruto da contração nos preços do diesel e da gasolina, além da queda nas cotações da soja, milho e minério de ferro. A inflação ao consumidor também desacelerou na passagem de março para abril puxada, especialmente pela energia elétrica.

Embora a alta de preços tenha perdido força entre alguns grupos específicos, ela segue ainda bastante disseminada. Isso somado aos bloqueios na China e aos aumentos de juros nos Estados Unidos podem fazer com que a inflação neste ano fique mais uma vez acima de 10%.

Matéria publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo afirma que, se isso ocorrer, será a primeira vez desde o início do Plano Real que a inflação ficará acima de dois dígitos durante dois anos seguidos.

Payroll

Os Estados Unidos criaram 428 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em abril e a taxa de desemprego se manteve em 3,6%, o menor patamar em dois anos, aponta o Payroll divulgado na sexta-feira (6).

O resultado veio acima da expectativa. O consenso Refinitiv projetava a criação de 391 mil vagas, mas uma taxa de desemprego um pouco menor (3,5%).

Os salários aumentaram 0,3% em relação a março e 5,5% ante abril de 2021 e ficaram em linha com as estimativas do mercado (alta mensal de 0,4% e anual de 5,5%).

Auditoria, isenção para estrangeiros e Petrobras

Na seara política, o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse no dia 5 de maio que seu partido contratará uma empresa para fazer uma auditoria no sistema eleitoral brasileiro. Ele também afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ficará “em uma situação bastante complicada”, caso a empresa conclua que o sistema não é auditável – o que a corte rechaça.

Também na cena política, o jornal Valor Econômico traz hoje que o governo pediu ao Congresso que inclua no projeto de lei do marco de garantias (PL 4188/2021) uma isenção de Imposto de Renda para investimentos estrangeiros.

A isenção seria focada em títulos de renda fixa corporativos, como debêntures, debêntures incentivadas, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs). A medida, segundo o jornal, é uma tentativa de atrair recursos externos e diminuir a cotação do dólar, além de reduzir o custo de captação de recursos pelas empresas (ao minorar também o custo para quem investe).

Destaque também para notícias envolvendo a Petrobras. Pouco antes da divulgação do resultado da petroleira (PETR3;PETR4), o presidente Jair Bolsonaro fez apelos para que a empresa não volte a aumentar o preço dos combustíveis no Brasil.

Aos gritos, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente afirmou que os lucros registrados recentemente pela empresa são “um estupro”, beneficiam estrangeiros e quem paga a conta é a população brasileira. Contudo, ele descartou interferir na companhia.

“Se tiver mais um aumento (nos preços dos combustíveis), pode quebrar o Brasil. E o pessoal da Petrobras não entende, ou não quer entender. A gente sabe que têm leis. Mas a gente apela para a Petrobras que não aumente os preços”, disse Bolsonaro, que também chamou o lucro da estatal de “abusivo” e o classificou como “crime”. “Se aumentar de novo o preço dos combustíveis, o nome da Petrobras vai para a lama”, acrescentou.

 

Matéria publicada pelo InfoMoney em 06/05/2022

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