6/10/2026
Um Participante do Plano BD já poderia se aposentar, mas decide continuar trabalhando no Banco do Nordeste. Com isso, adia o início de um benefício que poderia começar a receber assim que se desligasse do Banco.
Essa situação, conhecida como postergação da aposentadoria, é comum entre os Participantes Ativos do Plano BD e costuma gerar dúvidas. O que acontece com os valores que deixam de ser pagos? Ficam reservados para o Participante? São utilizados imediatamente pela Capef?
O tema foi abordado no segundo episódio do CapefCast. Confira:
Quando a aposentadoria pode começar?
Para receber a aposentadoria do Plano BD, o Participante precisa cumprir as condições previstas no Regulamento, incluindo a elegibilidade ao benefício do INSS e o desligamento do Patrocinador.
A exigência de desligamento não é uma regra criada pela Capef. Ela está prevista na Lei Complementar nº 108/2001, aplicável aos planos patrocinados por empresas públicas e sociedades de economia mista, como o Banco do Nordeste.
Quem posterga já cumpriu as demais condições para a aposentadoria. Falta apenas uma, que depende de sua decisão: deixar o Banco. Enquanto opta por continuar trabalhando, o benefício não começa a ser pago.
Por que a postergação gera economia?
Quando o início da aposentadoria é adiado, o Plano deixa de realizar os pagamentos que seriam devidos caso o Participante tivesse se aposentado. Como consequência, o período esperado de recebimento do benefício tende a ser menor.
Além disso, no Plano BD, o cálculo do benefício considera a quantidade de contribuições, limitada a 360. Para quem já atingiu esse limite, continuar trabalhando não significa, por si só, aumentar o percentual do benefício.
Dessa forma, a postergação gera uma economia para o Plano em comparação com a situação em que o Participante se aposentasse assim que cumprisse os requisitos.
Essa economia existe independentemente de já ter sido considerada nos cálculos atuariais. A diferença está no momento em que seus efeitos são reconhecidos no resultado do Plano.
Como o Plano prevê esse comportamento?
Sérgio Cardoso, atuário da Atuarh, consultoria responsável pelos cálculos atuariais do Plano, explica que a avaliação atuarial utiliza diversas premissas para projetar os compromissos futuros. Uma delas estima quando os Participantes Ativos deverão solicitar a aposentadoria, considerando, entre outros elementos, o histórico de comportamento do grupo.
Embora a regulamentação permita que os estudos de adequação dessa hipótese tenham validade de até três anos, no Plano BD ela é avaliada anualmente, permitindo acompanhar mais de perto eventuais mudanças no comportamento dos Participantes.
Isso significa que parte da economia decorrente da postergação já é antecipada nos cálculos atuariais do Plano. Ao estimar que determinados Participantes continuarão trabalhando mesmo após cumprirem os requisitos para a aposentadoria, a avaliação considera que os respectivos benefícios começarão a ser pagos mais tarde, reduzindo os compromissos futuros projetados.
Quando a postergação efetiva supera aquela considerada nos cálculos, o Plano pode registrar um resultado atuarial favorável adicional. Por outro lado, quando os Participantes se aposentam antes do previsto, o efeito pode ser desfavorável.
Assim, a economia proporcionada pela postergação beneficia o Plano independentemente de já ter sido antecipada nos cálculos atuariais. A premissa permite reconhecer previamente parte desse efeito, contribuindo para uma estimativa mais adequada dos compromissos previdenciários.
O atuário ressalta que essa hipótese não é definitiva. Mudanças no comportamento dos empregados ou iniciativas do Banco do Nordeste que incentivem a aposentadoria podem alterar as projeções. Por isso, os estudos são atualizados periodicamente e submetidos às instâncias competentes.
A economia fica reservada para quem posterga?
Não. Diferentemente de um plano baseado em contas individuais, o Plano BD tem natureza mutualista: seus recursos e compromissos são administrados coletivamente para garantir o pagamento dos benefícios previstos no Regulamento.
Assim, a economia associada à postergação não se transforma em uma reserva individual de quem adiou a aposentadoria. Também não representa um valor disponível para uso livre ou imediato pela Capef.
Seus efeitos são incorporados aos cálculos atuariais e ao resultado coletivo do Plano, alcançando tanto os Participantes Ativos quanto os Assistidos, que já recebem benefícios.
“Aquela economia que a Capef vai ter nesses anos de postergação, a gente distribui, pela própria lógica do Plano, por todos os Participantes até o final da vida deles, inclusive para aquele que está postergando”, explicou Cardoso durante o episódio.
Um exemplo ajuda a compreender esse funcionamento.
Como o Plano BD possui contribuições extraordinárias destinadas ao equacionamento de déficit, os efeitos favoráveis da postergação contribuem para reduzir os compromissos atuariais e podem, conforme as regras aplicáveis, permitir a redução dessas contribuições no futuro.
Nesse caso, a redução não beneficia exclusivamente quem postergou a aposentadoria, mas o conjunto dos Participantes, incluindo Ativos e Assistidos. A parcela do benefício econômico que alcança individualmente quem adiou a aposentadoria é limitada, justamente porque seus efeitos são compartilhados por todos.
Não se trata, portanto, de uma compensação individual pelos anos em que o Participante deixou de receber o benefício, mas de uma consequência do funcionamento coletivo do Plano.
Quem viveu a postergação
Henrique Tinoco, Diretor de Previdência da Capef, compartilhou sua própria experiência durante o episódio.
Ele explicou que poderia ter se aposentado pela Capef em 2013, mas optou por continuar trabalhando, iniciando sua aposentadoria apenas em 2026.
Segundo ele, a economia decorrente desse período não ficou acumulada em seu nome:
“Isso não ficou para mim. Isso, como você disse, foi distribuído com todos os Participantes para financiar inclusive a longevidade.”
O relato ilustra uma característica fundamental do Plano BD: os efeitos das decisões individuais são incorporados à gestão coletiva dos compromissos previdenciários.
Uma decisão individual com efeitos coletivos
A escolha do momento de solicitar a aposentadoria envolve circunstâncias pessoais, profissionais e financeiras de cada Participante, e cabe somente a ele decidir.
No Plano BD, entretanto, seus efeitos ultrapassam a esfera individual.
A postergação reduz os pagamentos de benefícios em comparação com a aposentadoria imediata. Parte dessa economia já é considerada antecipadamente nos cálculos atuariais, enquanto eventuais diferenças em relação ao comportamento esperado podem produzir resultados adicionais, favoráveis ou desfavoráveis.
Em todos os casos, os efeitos da postergação integram o funcionamento coletivo do Plano, contribuindo para o financiamento dos benefícios e para seu equilíbrio atuarial, em benefício do conjunto dos Participantes e Assistidos.
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