28/10/2026
A Capef divulgou os resultados dos Planos BD e CV I referentes a setembro. No mês, o Plano BD rendeu 0,65%, ante meta atuarial de 1,25%. Já o Plano CV I teve rentabilidade de 0,79%, frente à meta de 1,23%.
No acumulado de janeiro a setembro, o BD registrou 7,81%, próximo da meta de 8,10%. O CV I chegou a 8,65%, mantendo-se acima da meta acumulada de 7,85%.
Embora os dois Planos tenham ficado abaixo da meta em setembro, esse resultado mensal foi influenciado por uma diferença no momento em que a inflação entra em dois cálculos: o da meta atuarial e o da atualização de parte dos investimentos.
Assista ao vídeo abaixo e entenda:
Por que a inflação afeta os resultados?
Uma parcela relevante dos recursos dos Planos está aplicada em títulos públicos atrelados à inflação, as NTN-Bs. Como o IPCA oficial de cada mês só é divulgado no mês seguinte, esses títulos são atualizados com uma projeção de inflação até que o dado definitivo seja conhecido. Essa é uma metodologia de precificação utilizada no mercado, que considera as projeções de inflação divulgadas pela ANBIMA.
A meta atuarial, por sua vez, considera o IPCA efetivamente apurado. Em setembro, a inflação oficial foi de 0,82%. Para a atualização dos investimentos no período, foi utilizada uma projeção de 0,20%.
Na prática, a atualização dos títulos considerou uma projeção de inflação inferior àquela posteriormente usada no cálculo da meta. Essa diferença ajuda a explicar por que o resultado mensal ficou abaixo do objetivo. Ela não significa, por si só, que houve uma perda equivalente na carteira: a rentabilidade também considera os juros dos títulos e os resultados dos demais investimentos.
Com a divulgação do IPCA oficial, a inflação efetiva passa a ser incorporada na atualização dos títulos no período seguinte. Por isso, espera-se que esse movimento tenha impacto positivo nos resultados de outubro.

Um efeito que pode se inverter
A dinâmica já havia sido explicada no primeiro episódio do CapefCast, no primeiro semestre, quando um Participante perguntou sobre o descasamento entre a inflação usada nos títulos e a considerada nas metas atuariais. Na conversa, Marcelo D’Agostino, Gerente de Investimentos da Capef, explicou que o efeito pode se inverter quando a inflação efetiva fica abaixo da projeção:
“Quando você tiver uma inflação estável ou mais baixa efetiva em relação à projeção, aí o efeito é contrário: a carteira rende mais do que a meta.”
Assim, a diferença entre a projeção e o IPCA oficial pode influenciar os resultados de meses específicos em sentidos diferentes. Para acompanhar o desempenho dos Planos, é importante observar tanto os resultados mensais quanto o acumulado. No CV I, por exemplo, apesar do resultado de setembro abaixo da meta do mês, o acumulado até agora permanece acima da meta do período.
Assista ao trecho do primeiro episódio do CapefCast, que aborda essa dinâmica e outros fatores que influenciam os investimentos dos Planos.

