10 filmes e séries que podem te ensinar lições importantes sobre dinheiro (parte 1)

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29 de abril de 2021

Arte, cinema e cultura se provaram mais que necessários durante o primeiro ano do coronavírus. Uma vez dentro de casa, privada de contato físico e tentando manter a saúde mental em dia, a sociedade recorreu aos meios de entretenimento para se desligar um pouquinho da loucura na qual o mundo se encontrava. Cá estamos, pouco mais de um ano depois, e, apesar dos avanços contra a Covid-19, ainda nos vemos em situação de isolamento.

De lá pra cá, os indivíduos, que já estavam extremamente conectados, praticamente entraram em simbiose com os aparelhos digitais de reprodução de mídia e agora, literalmente, não conseguem mais viver sem eles. Também, pudera: com um único dispositivo é possível falar com a família, rever os amigos, trabalhar, ter momentos de lazer e desfrutar de conteúdos culturais, como literatura, música e muitos outros.

Com um simples toque, é possível ter acesso a uma gama de artistas sem precisar de vitrola, uma infinidade de títulos diferentes de filme sem precisar de DVDs, Blu-Rays ou televisores. A telinha dos smartphones resolve tudo por você. As possibilidades são tantas que o principal problema é escolher a diversão da vez, provavelmente entrando em um túnel interminável chamado Netflix (ou similares), passando horas para fazer a escolha.

Você, que acompanha nossos artigos sobre vida financeira, com certeza já deve ter se deparado com inúmeras listas de filmes que falam sobre o assunto e, provavelmente, todos eles começam com “O Lobo de Wall Street”, de 2013. Sem tirar os méritos da produção, excelente, diga-se de passagem, a proposta de hoje é lançar um novo olhar sobre alguns títulos que não parecem, mas podem nos ensinar lições importantes sobre dinheiro.

Separamos 10 dicas, entre filmes e séries, para que você deixe salvo na sua lista de favoritos. Misturamos estilos, abordagens e diferentes aprendizados sobre as notinhas que regem a vida do mundo capitalista. Além da pipoca quentinha, traga um bloquinho de notas, pois a diversão vai começar.

Alerta de spoiler!

Como Vender Drogas Online (Rápido) (2019)

Apesar do título duvidoso, esta série da Netflix de origem alemã é uma mistura de comédia e drama, com pitadas de temáticas adolescentes, que diverte, emociona e te deixa na beirada da cadeira ao mesmo tempo. Fugindo das narrativas padrões americanas, Philipp Käßbohrer e Matthias Murmann propõem algo rápido, conectado e divertido. Na obra, um adolescente começa a vender ecstasy na internet, somente para chamar a atenção da ex-namorada, mas acaba virando um dos maiores traficantes da Europa.

A temática de drogas, claro, é acrescentada para trazer o humor ácido e os acontecimentos inesperados que são a força motriz que sustenta toda a história. O interessante de se ver são as lições sobre dinheiro e negócio abordadas no decorrer do crescimento ilícito do protagonista, Maximilian Mundt. Começando de forma tímida, com um fornecedor de baixa qualidade, ele abre uma lojinha simples no lado obscuro da internet. Com o tempo, descobre novos fornecedores, contrata novas pessoas para o seu negócio, faz parcerias com grandes empresas e até ganha o seu escritório em outro país. O resultado? Muito dinheiro!

Aprendemos que: por mais que a sua ideia de negócio não faça sentido inicialmente, identificar bem o seu target, apostar em um bom modelo de negócios, trazer profissionais qualificados para o seu lado e investir da maneira correta são estratégias certas que farão qualquer empresa crescer. O Oceano Azul (fazendo um aceno aos grandes W. Chan Kim e Renée Mauborgne) está aí pronto para ser explorado. Basta ter um olhar aguçado.

Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (2009)

Sacolas de compras, estética cor de rosa, background do mundo fashion, o filme tem todos os elementos para ser uma deliciosa comédia (talvez romântica) para ser vista sem compromisso em um final de semana preguiçoso. No entanto, o olhar mais atento perceberá a crítica ao consumismo e ao impacto que isso causa nas pessoas mais suscetíveis, especialmente aquelas com uma das mais poderosas armas capitalistas na mão: o cartão de crédito.

Rebecca Bloomwood, interpretada pela polivalente Isla Fisher, é viciada em comprar. Vítima da moda, literalmente, rende-se ao delírio de grandes marcas e à necessidade de estar sempre in voga, mesmo sem condições. Sua situação vai além de uma simples dívida com uma instituição financeira. Ela assiste sua vida ruir por falta de controle do seu dinheiro e precisa se lançar no mercado de trabalho para não só sobreviver, mas se recuperar do golpe autoinfligido.

Aprendemos que: cartão de crédito não é infinito e gastos supérfluos precisam ser controlados, especialmente quando a oferta é grande e a propensão a consumir é ainda maior. Se não investir, mas, pelo menos, guardar dinheiro é mais do que necessário nos dias de hoje. Imprevistos acontecem e, sem querer, podemos ser vítimas do consumismo. Manter uma reserva é ter a certeza de que há um bote salva-vidas à disposição caso tudo afunde.

A Rede Social (2010)

Antes de tudo, saiba que é necessário um pouco de paciência até que o filme, efetivamente, aconteça. Caso você já tenha lido o livro, desconsidere o primeiro conselho. Caso não, resista bravamente. David Fincher faz de propósito, para que você mergulhe de cabeça e na cabeça do Mark Zuckerberg e entenda como o Facebook virou esse fenômeno em tão pouco tempo. Passados os minutos arrastados, a história começa a acontecer.

É possível que brotem dois sentimentos no seu coração: primeiramente, um grande fascínio sobre como tudo foi bem construído e uma admiração pelo espírito visionário do Zuckerberg. Em segundo, asco pela rodada interminável de traições, punhaladas nas costas, falta de consideração e muito ódio. No fim das contas, você se toca que a vida e as relações no mundo virtual são assim. O filme só coloca sobre uma ótica maximizada.

Aprendemos que: qualquer negócio que facilite relações sociais, de alguma forma, tem grande potencial de dar certo. Acreditar na própria aposta e saber mudar o curso quando necessário é uma característica que todos devemos ter. Todo mundo tem seu preço e a ambição de alguns, em determinados momentos, pode cegá-los, comprometendo parcerias e sociedades. Mesmo investindo em um negócio, tenha um Plano B caso o sucesso não chegue.

Joy: O Nome do Sucesso (2015)

Jennifer Lawrence, uma das queridinhas de Hollywood, dá vida à protagonista deste filme, que conta uma bela história de superação que poderia, facilmente, cair na sessão de empreendedorismo tradicional – quando o empresário supera todas as dificuldades e, no final, consegue atingir seu resultado. No entanto, o diretor David O. Russell utiliza uma direção comovente e consegue contar a história real de Joy Mangano de uma forma emocionante e envolvente.

O drama, que faz saltar lágrimas dos olhos, fica por conta da situação de vida da Joy. Mãe solteira, lar desfeito, responsável pela casa e cheia de dificuldades financeiras. Parece a vida de milhares de brasileiros. A virada de chave do filme é quando ela desenvolve um inovador aparelho de limpeza, acredita que vai dar certo, e passa a encarar o desenvolvimento e a produção do produto como sua meta de vida. Nem é preciso dizer que o final é (muito) feliz (e rico).

Aprendemos que: mesmo no pior dos cenários, podemos contar com nossa criatividade e intuição. Detalhismo, perserverança, iniciativa e saber identificar bem as oportunidades – seja para empreender, seja para dar um passo crítico rumo à uma vida melhor – são ingredientes que fazem parte da receita para ter plenitude na vida financeira.

Quem Quer Ser Um Milionário? (2008)

Em tempos de Big Brother e realities show que aproximam a possibilidade de dinheiro “fácil” para pessoas anônimas, este filme, vencedor de oito Oscars, nunca foi tão atual. Danny Boyle aproveita o cenário saturado ocidental para construir uma história com background indiano e linha narrativa cativante e inovadora, abordando drama, romance, situações sociais e, no topo de tudo isso, a oportunidade de mudar de vida.

De orçamento considerado barato, a obra não tinha como meta ser um fenômeno blockbuster, mas ganhou as telas do mundo inteiro pelos motivos já comentados, além do carisma inegável de Dev Patel no papel de Jamal Malik. A história é clássica e vista com frequência na realidade brasileira: um programa de auditório que promete enriquecer alguém mediante a resposta de algumas perguntas. Previsível, mas emocionante.

Aprendemos que: quem pode garantir um futuro melhor para a sua vida é apenas você mesmo. Apesar de tentadores e, aparentemente, próximos da realidade, prêmios de programas assim são raros e não contemplam a maioria das pessoas. O melhor caminho para um futuro tranquilo é investir em si. Muito embora, caso uma oportunidade dessas apareça, é sempre boa para aumentar o patrimônio.

Gostou da primeira parte da seleção de filmes?

Em breve, a segunda.

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